Cerâmicas feldspáticas: Aprenda tudo sobre

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As cerâmicas feldspáticas são materiais excepcionalmente versáteis na odontologia, destacando-se pela sua maleabilidade e facilidade de manipulação. No entanto, as indicações variam significativamente de acordo com o processo de fabricação e aplicação.

Nesse artigo abordaremos cada um dos métodos de utilização das cerâmicas feldspáticas e te ensinar a definir qual o mais indicado para seu laboratório.

O que são as cerâmicas feldspáticas?

Consideramos essas cerâmicas como vidros amorfos devido à sua ausência de cristalização durante a fusão. Sua composição, que inclui caulino, confere-lhes propriedades modeláveis que facilitam sua utilização em próteses dentárias.

Apesar de sua maleabilidade, as cerâmicas feldspáticas podem apresentar baixa resistência e incorrer em defeitos durante o processo de manipulação. Por isso, é fundamental que uma infraestrutura capaz de resistir às forças mastigatórias apoie essas cerâmicas. A falta de compatibilidade térmica entre a cerâmica e a infraestrutura pode resultar em acúmulo de tensões residuais na interface, aumentando o risco de trincas e delaminações.

Dependendo dos aditivos utilizados, as cerâmicas feldspáticas apresentam diferentes temperaturas de fusão. Desse modo, podemos classificá-las em: ultrabaixa fusão (< 850°C), baixa fusão (850-1.100°C), média fusão (1.101-1.300°C) e alta fusão (> 1.300°C), cada uma com aplicações específicas na odontologia.

Métodos de Manipulação das Cerâmicas Feldspáticas

1. Estratificação

O processo de estratificação nas cerâmicas feldspáticas é uma técnica amplamente utilizada na odontologia protética, destacando-se por suas particularidades em relação a outros métodos. Esta abordagem envolve a construção camada por camada da restauração dentária, permitindo uma personalização minuciosa da anatomia do dente e da estética do sorriso.

Vantagens

Uma das principais vantagens da estratificação é a capacidade de utilizar diferentes tipos de cerâmica em áreas específicas do dente, reproduzindo com precisão características como translucidez e matizes. Isso proporciona resultados estéticos superiores, com restaurações que se integram harmoniosamente à dentição natural. Além disso, a estratificação permite uma adaptação precisa da restauração ao espaço disponível na cavidade bucal, garantindo um encaixe perfeito e uma função mastigatória adequada.

Desvantagens

No entanto, o processo de estratificação também apresenta desafios e limitações. A necessidade de manipular o material em múltiplas etapas aumenta o tempo e a complexidade do procedimento, exigindo habilidade e experiência por parte do técnico em prótese dentária. Além disso, a contração durante a sinterização pode resultar em distorções na forma final da restauração, requerendo ajustes adicionais e aumentando o tempo total de trabalho. Outro aspecto a considerar é a possibilidade de formação de bolhas de ar durante o processo de queima, o que pode comprometer a resistência e a durabilidade da restauração.

Quando utilizar?

Comparado a outros métodos de fabricação de restaurações dentárias, como a prensagem ou fresagem computadorizada, a estratificação oferece uma abordagem mais artesanal e personalizada, adequada para casos que exigem uma atenção especial aos detalhes estéticos. No entanto, é importante considerar as características específicas de cada paciente e as demandas clínicas ao escolher o método de fabricação mais adequado para cada situação.

Em resumo, o processo de estratificação nas cerâmicas feldspáticas é uma técnica versátil e eficaz para a criação de restaurações dentárias estéticas e funcionais. Embora apresente algumas limitações, suas vantagens em termos de personalização e estética fazem dela uma escolha valiosa para muitos casos clínicos.

Para potencializar seus resultados, é necessário utilizar materiais de extrema qualidade e já reconhecidos no mercado, por isso, indicamos as cerâmicas feldspáticas InSync, da Odontomega.

TPD João Batista Medeiros – Processo de estratificação com cerâmicas feldspáticas.

2. CAD/CAM

O método de fabricação assistida por computador, conhecido como CAD/CAM (Design Assistido por Computador/Fabricação Assistida por Computador), é amplamente utilizado na obtenção de estruturas dentárias anatômicas. Para esse processo, é necessário que uma quantidade de material cerâmico pré-sinterizado esteja disponível em forma de blocos, cilindros ou discos, garantindo que o volume total de material seja superior ao volume final da restauração. As ferramentas de usinagem da central (CAM) são então responsáveis por esculpir o material cerâmico até alcançar a forma desejada, seguindo o planejamento tridimensional no software de desenho (CAD).

Vantagens

No caso das cerâmicas feldspáticas, esse método permite o uso do material diretamente da fábrica, já sinterizado. Isso ocorre porque, apesar de possuir resistência e densidade finais, a cerâmica feldspática é relativamente frágil e suscetível a desgaste. No entanto, ao ser usinada por CAD/CAM, apresenta menor incidência de defeitos estruturais, como bolhas e trincas, o que confere maior resistência flexural e previsibilidade aos tratamentos dentários em comparação às peças obtidas por estratificação.

Portanto, embora os materiais possuam composição semelhante, o produto final apresenta propriedades mecânicas distintas, como tenacidade e resistência compressiva.

A cerâmica feldspática usinada é indicada para uso monolítico, sem a necessidade de infraestrutura de outro material, possibilitando o planejamento de restaurações parciais e totais. Após o processo de usinagem, a restauração pode ser limpa, polida e testada na boca do paciente, podendo ainda receber uma camada de glaze para uma superfície mais estética.

Outra vantagem da cerâmica feldspática usinada é sua alta resistência adesiva ao cimento resinoso, devido à presença de sílica em sua composição. Isso reduz significativamente a incidência de descolamento das peças protéticas quando bem planejadas e executadas.

Desvantagens

Entretanto, a fabricação por CAD/CAM limita a aplicação de diferentes camadas de material em diferentes áreas da restauração, ao contrário da técnica de estratificação. Apesar disso, é possível utilizar blocos cerâmicos com gradiente de cor e translucidez, permitindo maior estética e versatilidade.

Quando usar?

Por fim, a cerâmica feldspática para CAD/CAM é altamente compatível com pigmentos e glazes, mantendo a camada de caracterização externa por mais tempo. No entanto, devido às forças mastigatórias, é importante considerar a suscetibilidade da cerâmica feldspática ao crescimento de trincas em regiões de alta tensão de tração, o que pode restringir sua aplicação em algumas situações clínicas.

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Processo de CAD/CAM com cerâmicas feldspáticas.

3. Injeção

O processo de injeção é reconhecido como uma abordagem eficaz para produzir restaurações cerâmicas, representando uma evolução das centrífugas tradicionalmente utilizadas em laboratórios de prótese dentária. Além das vitrocerâmicas reforçadas por cristais, as cerâmicas feldspáticas também podem ser injetadas para alcançar uma forma anatômica adequada.

Inicialmente, o técnico cria um padrão anatômico sobre o troquel, conferindo as características necessárias para a estética e função do dente a ser restaurado. Esse padrão pode ser construído manualmente em cera, resina acrílica, por usinagem em CAD/CAM ou até mesmo por impressão 3D.

Posteriormente, o padrão é incluído em um revestimento refratário dentro de um anel de inclusão e levado ao forno laboratorial para a volatilização, deixando apenas o espaço vazio com o formato da restauração. As pastilhas cerâmicas são então posicionadas através do conduto de alimentação, e um êmbolo é utilizado para a compressão final. O conjunto passa então por um ciclo térmico específico no forno cerâmico, preenchendo todo o espaço moldado da restauração com material cerâmico. Após o resfriamento, o revestimento é removido e a restauração é refinada com pontas diamantadas e borrachas de polimento, podendo receber posterior caracterização e/ou aplicação de glaze.

Vantagens

A injeção oferece um processo relativamente econômico para utilizar um sistema cerâmico de alta qualidade, com resistência mecânica elevada e uma ampla gama de indicações clínicas. É possível criar restaurações monolíticas e até mesmo injetar cerâmica feldspática sobre copings.

Desvantagens

Entretanto, a estética final das restaurações pode ser limitada pelo processo de injeção, muitas vezes exigindo a aplicação posterior de pigmentos para otimizar o resultado estético. Além disso, erros em qualquer etapa do processo só são identificados no final, exigindo a repetição de todo o procedimento, inclusive a obtenção do padrão da restauração.

Processo de injeção com cerâmicas feldspáticas.

Considerações Finais

Considerando os três procedimentos discutidos – estratificação, CAD/CAM e injeção – na fabricação de restaurações dentárias em cerâmicas feldspáticas, é possível observar diferentes abordagens, cada uma com suas vantagens e desvantagens.

A estratificação oferece uma personalização minuciosa da restauração, permitindo o uso de diferentes tipos de cerâmica em áreas específicas do dente. Isso resulta em restaurações esteticamente superiores, integradas harmoniosamente com a dentição natural. No entanto, a estratificação requer habilidade e experiência do técnico, além de enfrentar desafios como o risco de distorções durante a sinterização.

Por outro lado, o CAD/CAM proporciona uma abordagem mais automatizada e precisa, adequada para uma ampla gama de indicações clínicas. A usinagem de cerâmicas feldspáticas oferece restaurações com alta resistência mecânica e adaptabilidade, permitindo inclusive a criação de restaurações monolíticas. No entanto, pode limitar a personalização estética e enfrentar dificuldades na reprodução de detalhes complexos.

Por fim, o processo de injeção apresenta uma alternativa de baixo custo para a obtenção de restaurações cerâmicas de alta qualidade. Ele oferece restaurações monolíticas com resistência mecânica elevada, embora possa apresentar limitações na estética final das restaurações.

Em conclusão, a melhor indicação para cada procedimento depende das necessidades específicas do paciente e do caso clínico. Para casos que demandam uma atenção especial aos detalhes estéticos, a estratificação é ideal, enquanto para casos que exigem precisão e adaptabilidade, recomenda-se o CAD/CAM. Já a injeção pode ser uma opção vantajosa em situações onde o custo é um fator importante, sem comprometer a qualidade final da restauração.

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