Cimentação de Resina 3D Nanohíbrida
Por Dr. Glauber Rama
Antes de tudo, na cimentação de resina 3D nano-híbrida, é fundamental realizar corretamente o protocolo de pré-cimentação, pois essa etapa garante adesão adequada e maior longevidade clínica. Assim, quando o profissional deseja utilizar a resina 3D AA Master como material definitivo, o procedimento deve seguir o mesmo princípio da cimentação definitiva de restaurações em resina.

Qual o processo pré-cimentação?
Em primeiro lugar, no dente, realiza-se o protocolo adesivo convencional. Assim, aplica-se ácido fosfórico, realizando o condicionamento seletivo em dentina. Em seguida, procede-se à aplicação do sistema adesivo, conforme as recomendações do fabricante. Esse passo, sobretudo, promove a preparação ideal da superfície dentária para a cimentação da peça.
Em contrapartida, na peça impressa em resina 3D, recomenda-se realizar jateamento com óxido de alumínio de granulação fina, a fim de remover impurezas superficiais e criar micro retenções mecânicas. Dessa forma, melhora-se a interação entre a superfície da restauração e o cimento resinoso utilizado na cimentação de resina 3D odontológica.
Além disso, pode-se realizar a aplicação de silano, dependendo da composição do material. Em geral, quando a resina 3D com carga cerâmica apresenta partículas vítreas em sua formulação, o uso de silano é recomendado, pois contribui para otimizar a adesão química entre a restauração e o agente cimentante.
É necessário o uso de ácido na cimentação?
Durante a cimentação de resina 3D nano-híbrida, o uso de ácido na peça restauradora não é, em geral, uma etapa obrigatória. Isso ocorre porque, após o jateamento com óxido de alumínio, a superfície da resina 3D AA Master já apresenta micro retenções suficientes para favorecer a adesão do cimento resinoso.
Nesse sentido, caso o profissional opte pela aplicação de ácido, ele atuará principalmente como agente de limpeza superficial, removendo possíveis contaminantes e resíduos do processo anterior. Dessa forma, embora tecnicamente não seja indispensável, esse procedimento pode aumentar a qualidade da adesão em determinadas situações clínicas.
Contudo, é importante destacar que, se houver a escolha pelo condicionamento ácido, o recomendado é utilizar ácido fosfórico. Isso ocorre porque o ácido fluorídrico é indicado exclusivamente para cerâmicas vítreas, não sendo apropriado para a cimentação de resina 3D odontológica. Assim, ao trabalhar com resina 3D com carga cerâmica, o ácido fosfórico se apresenta como a alternativa mais segura quando se deseja realizar essa etapa adicional de limpeza da superfície.
É preciso usar primer?
Na cimentação de resina 3D nano-híbrida, o uso de primer (silano) depende da composição da resina. Em geral, quando a resina 3D com carga cerâmica possui partículas vítreas, recomenda-se a aplicação de silano para melhorar a adesão química durante a cimentação.
Porém, em resinas que não apresentam esse tipo de carga, o uso de primer não é obrigatório, embora possa contribuir para otimizar a cimentação da resina 3D odontológica.
É possível utilizar cimento dual ou rinoso?
Na cimentação de resina 3D nano-híbrida, é possível utilizar cimento resinoso ou cimento dual, pois ambos apresentam desempenho adequado para esse tipo de procedimento. Assim, a escolha depende principalmente da preferência clínica e do protocolo adotado pelo profissional.
No caso da resina 3D AA Master, sua boa opacidade e excelente recobrimento permitem o uso de cimento dual sem prejuízo estético. Isso é relevante porque alguns cimentos duais podem apresentar leve tendência ao amarelamento ao longo do tempo, devido à presença de amina terciária em sua composição.
Nesse sentido, diferentes opções são seguras para a cimentação de resina 3D odontológica. O Megalink, por exemplo, apresenta ótimo desempenho e pode ser utilizado com tranquilidade. Da mesma forma, cimentos como RelyX U200, 7P ou outros cimentos resinosos também podem ser empregados, desde que respeitadas as recomendações clínicas de uso.

O que não se deve fazer em uma cimentação de resina 3D?
A cimentação de resina 3D nano-híbrida envolve várias etapas. Contudo, alguns cuidados são indispensáveis para evitar falhas no procedimento.
Primeiramente, evite contaminação por umidade durante todo o processo. Água ou saliva interferem diretamente na adesão do cimento resinoso.
Além disso, garanta uma hibridização adequada do substrato. Para isso, execute corretamente o protocolo adesivo. Dessa forma, o sistema adesivo interage melhor com o dente e com o material cimentante.
Os erros mais comuns na cimentação de resina impressa
Os erros na cimentação de resina 3D nano-híbrida são, em geral, os mesmos observados na cimentação de outras peças em resina. Ou seja, falhas no protocolo adesivo e na manipulação dos materiais costumam comprometer o resultado final.
Entre os erros mais comuns, destacam-se:
- Não seguir corretamente todas as etapas do protocolo de cimentação.
- Não respeitar o tempo de ação do sistema adesivo.
- Não aguardar o tempo adequado do ácido condicionador.
- Não respeitar o tempo necessário para a silanização.
- Inserir o cimento sem remover bolhas previamente.
- Utilizar quantidade inadequada de cimento durante a cimentação.
- Não realizar a remoção correta dos excessos após o assentamento da peça.
Há diferenças entre marcas de resina e pigmentos?
Na cimentação de resina 3D nano-híbrida, o protocolo clínico não muda entre as diferentes marcas de resina 3D odontológica. Contudo, podem existir diferenças entre pigmentos. Alguns apresentam maior percentual de carga cerâmica, o que melhora a adesão à resina. Esse é o caso do SmartMaker, que tende a aderir melhor em pinturas extrínsecas.
Além disso, o profissional pode realizar pinturas intrínsecas, por meio de cutback, aplicação de pigmento e cobertura com resina translúcida, finalizando com glaze.
Há necessidade de um processo de cura diferente?
Sim, faça a cura com a peça submersa em glicerina. Mantendo sempre o tempo recomendado pelo fabricante, dessa forma minimizará a camada de dispersão formada pela presença de oxigênio.

Quais pigmentos evitar e erros comuns na maquiagem
Na maquiagem de resina 3D nano-híbrida, evite pigmentos que não sejam fotoativados ou que apresentem baixa adesividade ao material impresso. Além disso, erros no preparo da superfície comprometem diretamente o resultado final.
Entre os erros mais comuns, destacam-se:
- Não seguir o protocolo do fabricante, pois cada sistema pode exigir etapas específicas.
- Não realizar jateamento com óxido de alumínio fino, etapa essencial para criar micro retenção.
- Ignorar a silanização, que ajuda a reduzir riscos de soltura da maquiagem.
- Não respeitar o tempo de cura do pigmento, que geralmente é mais longo. Acelerar o processo pode causar desprendimento precoce.
- Não realizar a cura com a peça submersa em glicerina, procedimento que reduz a camada de dispersão causada pelo oxigênio.
Portanto, o erro mais crítico ocorre quando o profissional não realiza nenhum preparo antes da maquiagem. Nesse caso, aumentam as chances de aspereza, manchas e soltura do pigmento, o que frequentemente gera reclamações e resultados insatisfatórios na resina 3D odontológica.
É possível fazer ajustes na peça após a caracterização?
Sim, o profissional pode realizar ajustes em peças de resina 3D nano-híbrida, porém isso depende da espessura da restauração.
Em peças mais espessas, o dentista pode realizar ajustes com cuidado. Para isso, deve preservar os pontos de contato e a anatomia, utilizando brocas e polidores adequados para não danificar a superfície da resina 3D odontológica.
Em lentes ou facetas mais finas, os ajustes são bastante limitados. A espessura reduzida da peça diminui a margem de correção sem comprometer a estética ou a estrutura do material.
Em ambos os casos, após qualquer ajuste, recomenda-se repetir o processo final: jateamento, maquiagem e cura no tempo correto com a peça submersa em glicerina. Dessa forma, o profissional preserva a estética e a durabilidade da caracterização.
Qual o processo de glaze recomendado?
O glaze em resina 3D nano-híbrida exige atenção na escolha do material. Muitos profissionais utilizam glazes presentes em kits comerciais. Contudo, esses produtos nem sempre oferecem bom desempenho. Alguns apresentam fluorescência e outros não, o que pode afetar o resultado estético.
Além disso, recomenda-se evitar glazes com acrilato em sua composição, pois eles podem comprometer a estabilidade do acabamento. Em princípio, glazes com maior carga cerâmica tendem a apresentar melhor desempenho.
Entretanto, muitos profissionais preferem realizar polimento mecânico. Esse método permite alcançar brilho superior, sobretudo nas ameias e em áreas de ajuste.
Por fim, recomenda-se aplicar Megaseal, que veda os poros da resina 3D odontológica. Dessa forma, a peça fica mais protegida contra infiltrações, manchas e odores ao longo do tempo.

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