20 dicas para evitar bolhas no modelo de gesso

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Ao longo do processo de fabricação de próteses odontológicas, nos deparamos com uma série de desafios que requerem superação, sendo um deles a formação de imperfeições conhecidas como bolhas no gesso. Essas bolhas podem manifestar-se em diversos materiais com os quais trabalhamos, incluindo resinas, cerâmicas estratificadas, revestimentos de inclusão, troquéis refratários, silicones, alginatos, fundições de metais, injeções de dissilicato, entre outros. É extremamente importante evitar bolhas, pois elas trazem complicações para os projetos dentais.

Desse modo, o propósito deste material é proporcionar esclarecimentos e contribuir para o entendimento do surgimento de bolhas no momento do despejo do gesso nos modelos, visando aprimorar o processo de confecção de próteses odontológicas, e dar dicas para evitar bolhas no modelo de gesso.

Pontos negativos sobre bolhas no modelo de gesso

As bolhas nos modelos odontológicos apresentam vários pontos negativos, tais como:

  1. Redução da Precisão: A princípio, bolhas podem causar distorções e imprecisões nos modelos, comprometendo a exatidão das próteses dentárias.
  2. Diminuição da Durabilidade: Do mesmo modo, modelos com bolhas tendem a ser mais frágeis e sujeitos a quebras ou desgastes precoces.
  3. Dificuldade na Análise Diagnóstica: Bolhas podem dificultar a avaliação precisa das condições bucais do paciente, prejudicando o planejamento de tratamentos.
  4. Comprometimento da Estética: Em casos de próteses estéticas, bolhas podem causar irregularidades visíveis e comprometer a estética do sorriso.
  5. Desconforto para o Paciente: Modelos imprecisos devido a bolhas podem resultar em próteses desconfortáveis que causam irritação e desconforto ao paciente.
  6. Necessidade de Retrabalho: A presença de bolhas muitas vezes requer retrabalho e refabricação de modelos, aumentando o tempo e os custos do processo.
  7. Impacto nos Resultados Clínicos: Bolhas nos modelos podem afetar negativamente os resultados clínicos, levando a ajustes e modificações adicionais.
  8. Prejuízo ao Profissionalismo: A presença de bolhas nos modelos pode afetar a reputação e a credibilidade dos profissionais de odontologia, por isso, devem ser evitadas ao máximo.
  9. Aumento dos Custos: Corrigir modelos com bolhas exige mais materiais e tempo, aumentando os custos gerais do tratamento.
  10. Possibilidade de Rejeição pelo Paciente: Por fim, a insatisfação do paciente devido a próteses defeituosas pode levar à rejeição do tratamento ou ação legal.

Portanto, a eliminação ou minimização de bolhas nos modelos odontológicos é essencial para garantir a qualidade, precisão e eficácia dos tratamentos odontológicos.

Por que as bolhas aparecem com tanta facilidade nos modelos de gesso?

As bolhas frequentemente surgem em modelos de trabalho odontológicos devido à presença de ar aprisionado durante o processo de vazamento do gesso líquido nos moldes, resultando em falhas na replicação dos detalhes e causando imperfeições no modelo. Isso ocorre devido a problemas de técnica, mistura inadequada do gesso, vibrações insuficientes para eliminar o ar ou até a qualidade dos moldes.

Quais os tipos de bolhas e principais causas?

As bolhas relacionadas ao gesso em modelos odontológicos incluem:

  1. Bolhas de Ar no Gesso: Resultam da presença de ar aprisionado no gesso líquido durante o vazamento nos moldes.
  2. Bolhas de Vácuo no Gesso: Podem ocorrer quando o gesso é vazado com excessiva rapidez, criando um vácuo que atrai o ar para dentro do molde.
  3. Bolhas Internas no Gesso: São bolhas que ficam aprisionadas dentro do modelo de gesso, muitas vezes devido a uma má vibração ou manipulação dos moldes.
  4. Bolhas de Desgaseificação no Gesso: Podem surgir quando o gesso é desgaseificado de forma inadequada, levando à retenção de bolhas de ar no interior do modelo.

A eliminação apropriada dessas bolhas de gesso é fundamental para garantir a precisão e a qualidade dos modelos odontológicos. Agora que sabemos as causas, vamos apresentar 20 dicas para evitar bolhas no modelo de gesso!

20 dicas para evitar bolhas em modelos de gesso

1. Escolha cuidadosamente o gesso a ser utilizado!

A princípio, utilize um material que lhe ofereça características positivas, como bom escoamento, boa capacidade de reprodução de detalhes, e especialmente um bom tempo de trabalho.

2. Não despreze as recomendações do fabricante, leia na embalagem e obedeça às indicações de proporção água/pó.

O mais interessado em que tenhamos bons resultados com o material é o próprio fabricante, por isso, para evitar bolhas e outros danos, é extremamente importante seguir as orientações do fabricante.

3. Prepare o gesso na sequência correta

Primeiro a água e por último o pó sobre a água. Isso fará com que você inicie a mistura com menos ar na massa pois o pó vai para o fundo, o gesso se dissolve mais facilmente e absorve a água e o ar existente entre as partículas não afunda junto. Essa dica é extremamente importante para evitar bolhas nos modelos de gesso.

4. Aguarde alguns segundos para dar o tempo de incorporação da água no pó de gesso

Isso fará com que seja necessário um menor esforço para hidratar a massa, quanto mais você manipula o gesso com espátula, mais incorpora ar na mistura.

5. Utilize um bom Espatulador a vácuo.

Não há como comparar espatulação manual com uma espatulação mecânica a vácuo, por isso, para evitar bolhas, um equipamento em bom funcionamento é fundamental.

6. Respeite o tempo de espatulação de cada material para obter as melhores características.

Quando você espatula durante um tempo maior ou menor, pode não atingir a consistência ideal da massa, nem a resistência adequada do gesso, além de alterar a expansão e o tempo de trabalho e presa.

7. Observe a potência do vácuo no equipamento.

Se o equipamento que você utiliza permite controlar a força do vácuo, não deixe em 100%, reduza entre 70 e 80%, pois um vácuo muito forte, em vez de reduzir, pode causar novas bolhas.

8. Esteja atento à sua postura ao vazar os modelos, ergonomia é muito importante.

Do mesmo modo, é necessário olhar bem de perto para observar o gesso escoando, e você não terá um bom rendimento se trabalhar muito curvado sobre o molde. O mesmo ocorrerá se o molde estiver em uma altura muito elevada com relação à sua estatura.

9. A iluminação do campo de trabalho é um dos principais tópicos, garanta uma ótima iluminação sobre o molde a ser vazado.

O ideal é iluminar de perto o interior do molde, pois, por ser o negativo da boca, é uma região com muita sombra. Quanto melhor a iluminação, você terá mais facilidade de enxergar o escoamento do gesso, e é importante observar todos os momentos em que o gesso entra em contato com a superfície do molde, em cada milímetro.

10. Faça um bom confinamento no molde para vazar com tranquilidade.

Terá um foco maior na região onde o gesso está entrando em contato com o silicone pela primeira vez, e poderá alterar em várias inclinações o molde para usar a gravidade a seu favor, sem se preocupar com o gesso que estaria escoando para fora do molde.

11. Mantenha Foco e Concentração Total no Momento de Vazar

Esse não é o momento de conversar ou ter qualquer outra distração. Guarde o celular e não permita interrupções; concentre-se integralmente na tarefa.

12. Utilize Instrumentais Adequados e uma Boa Mesa Vibratória

Escolha os instrumentais que melhor se adaptam a você, pensando nisso, é indicado utilizar uma mesa vibradora, como é o caso do Vibrador Power da Odontomega, para controlar o escoamento do gesso e garantir a ausência de bolhas em áreas críticas, como ângulos vivos.

13. Desenvolva Sua Habilidade

Se ainda não tem a habilidade desenvolvida para dominar o gesso, respeite seus limites. Vaze com calma, para que possa dar atenção a todos os detalhes. Evite vazar muitos modelos simultaneamente.

14. Seja Estratégico

Escolha um ponto estratégico para iniciar o vazamento e abastecer novas quantidades de gesso sempre no mesmo local, a fim de otimizar o processo e evitar inconsistências.

15. Observe o Material Escoando

O material deve fluir suavemente, como um riacho, reproduzindo cada reentrância dente a dente e expulsando o ar. Vaze de modo que, em cada pequena depressão, haja espaço para o ar escapar enquanto o gesso preenche a cavidade.

16. Não Tenha Pressa para Realizar Seu Trabalho

Evite movimentar o instrumental excessivamente ou com muita velocidade no interior da massa, pois isso pode resultar na formação de espaços de ar na mistura.

17. Faça Movimentos Compatíveis com o Escoamento do Gesso

Ao conduzir o gesso com o instrumental, adapte a velocidade de acordo com o ritmo do escoamento causado pela vibração. Evite deixar rastros de ar com a espátula devido a movimentos desalinhados.

18. Utilize a Vibração Adequadamente e no Momento Necessário

Retire o molde da vibração durante o tempo que você estiver pegando nova porção de gesso na cuba. Caso contrário, o gesso pode escoar para uma nova região sem o controle necessário para evitar bolhas.

19. Deposite Gesso com a Espátula na Vertical

Ao adicionar uma porção de gesso, assegure-se de que a espátula esteja na posição vertical. Isso permite que o gesso caia e escoe de maneira uniforme, evitando a formação de blocos volumosos que aprisionam ar em algumas regiões.

20. Regularize a Superfície do Gesso Antes de Adicionar Mais Material

Sempre que o gesso cair sobre uma superfície muito irregular, haverá maior probabilidade de espaços vazios nas áreas mais profundas. Regularize a superfície antes de acrescentar nova quantidade de gesso.

Bolhas e porosidades são os únicos problemas que podem surgir em um modelo de gesso?

Não, bolhas e porosidades não são os únicos problemas que podem surgir em um modelo de gesso. Embora bolhas e porosidades sejam preocupações comuns na confecção de modelos de gesso, outros problemas também podem ocorrer, tais como:

  • Trincas e Rachaduras: O gesso pode desenvolver pequenas trincas ou rachaduras durante o processo de secagem ou endurecimento, comprometendo a integridade do modelo.
  • Descolamento do Gesso: O gesso pode se descolar do molde ou da base, resultando em fragmentação ou perda de partes do modelo.
  • Irregularidades Superficiais: Pode haver irregularidades na superfície do modelo, como asperezas ou texturas não intencionais.
  • Distorções Dimensionais: Os modelos podem sofrer distorções dimensionais, levando a imprecisões nas medidas e formas dos dentes.
  • Falta de Detalhes: Em casos nos quais o gesso não preenche completamente todas as reentrâncias do molde, detalhes importantes podem ficar ausentes no modelo.
  • Variação na Cor e Textura: Variações na cor ou textura do gesso podem afetar a estética do modelo, especialmente em próteses dentárias que buscam alta fidelidade.
  • Fragilidade Excessiva: Um modelo de gesso pode ficar excessivamente frágil, tornando-se propenso a quebras ou danos.

Portanto, ao confeccionar modelos de gesso, é importante estar ciente de uma variedade de problemas que podem surgir e adotar técnicas apropriadas para minimizá-los e garantir a qualidade do modelo final.

Por fim, temos um artigo detalhado sobre a importância de um bom gesso odontológico. Utilizamos como exemplo o gesso Snow Rock da Odontomega, que possui alta resistência, com o mínimo de formação de bolhas na superfície. Clique aqui e confira!

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